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Uma estréia para uma estréia


Olá, pessoal!

Estréio o blog com notícias de uma estréia.

Fui assistir a chegada ontem de Inimigos Públicos (Public Enemies) do diretor Michael Mann, uma adaptação do livro de Bryan Burrough. Bem, não estou frustrado, não sei, mas senti falta de algo. É um filme de gângsteres, mas que atenua alguns vícios do gênero policial. Ponto positivo. Mas parece que falta clímax e carisma. A produção é fantástica, mas... Enfim... Eu vou evitar cair naquela esparrela de “Críticos” que querem forçar diretores a se adequar aos seus gostos. Vocês decidam o que acham quando assistirem, que eu me atenho a tentar entender o filme.

Numa paulada só, vê-se a ferveção do pós-29, a formação do FBI, as peripécias de um bandido celebridade com tempo para um rápido romance. A trama se passa na Chicago dos anos 30, da Depressão, dos grandes assaltos a banco, das fugas espetaculares e do “cinza” de uma época conturbada. O protagonista John Dilinger é um dos inimigos públicos principais de então. Na verdade, inimigo do Estado, mas o FBI fez questão de criar essa imagem “bandido contra o povo” a ser preso com métodos modernos e usando a imprensa a seu favor, que favoreceu a imagem de polícia técnica e eficiente mantida até hoje.

A mitificação dos bandidos de uma época de crise em que bancos eram considerados culpados ajudou Dillinger a cair nas graças do povo e da mídia. Ele só roubava bancos e com rapidez absurda (1min40seg), e ao contrário ligava para a opinião pública sim.

A atuação de Johnny Depp deu uma vida própria ao personagem da vida real, mostrando sua versatilidade já conhecida. O flerte carismático do ator com o público leva o personagem junto, e cria um bandido-mocinho que conquista a preferência da platéia, a despeito do co-protagonista detetive Purvis (Christian Bale), um obcecado, “científico” e honesto policial. A semelhança ente os dois JD é incrível.

Marion Cotillard volta às telas depois de ser consagrada por sua interpretação mediúnica de Piaf. Aqui, ela faz o papel da namorada de Dillinger. Uma versão polida e honesta de Bonnie, Billie Frechette é uma moça quieta, que guarda casacos em um clube; conhece Dilinger e o encanta de tal maneira que ele a “rapta” de seu emprego. Uma fiel companheira que acaba presa por seu envolvimento com o ladrão. Não prejudica, mas em alguns momentos o casal Depp e Cotillard não funciona. Talvez propositalmente.


Do mesmo diretor de Colateral, Miami Vice, O Informante e Hancock, o estreante Inimigos Públicos mantém muitos traços de Michael Mann. O gosto pelo protagonista durão ou o cara mau simpático e boa pinta é velado. Alguém lembra de "O Último dos Moicanos"? Bom, é dele.

Mann faz questão de operar ele mesmo a câmera e “carregou” na mão com muitos closes e planos quase íntimos dos personagens. A fotografia e os enquadramentos são apurados. As imagens de alta definição dão outro toque que aliado a outros fatores geram um clima único no filme. A fotografia em alguns momentos escura demais remete e faz pensar na real iluminação da época, que a princípio até imaginei ser problema na cópia do cinema. Cria um jogo de claro e escuro interessante. em várias sequências.

A música é marcante, integra o roteiro e dá andamento. Destaque para um “show” de Diana Krall com “Bye Bye Backbird” (algo como “Adeus Graúna”), tema do casal; interpretação de Billie Holliday também está no time. A trilha sonora é de Elliot Goldenthal, de Frida (vencendo o Globo de Ouro 2003) e Entrevista com o Vampiro (1994).

Os figurinos compõem o clima da produção, assinados por Colleen Atwood. Para apresentá-la é só dizer que é a responsável pelos figurinos de vários filmes de Burton e para Depp, como A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood (o velho casaco angorá! hehehe). Seu trabalho em Chigaco (2002) rendeu o Oscar de Melhor Figurino em 2003.

Curioso é que Mann é de Chicago, famosa pelo celebritismo de margem dos gângsteres. O diretor tem um tom documental, talvez daí a falta do clímax destacado, não sei. O ter vivido no clima característico do período com certeza ajudou a direção, inclusive naquele ponto que falei sobre amenizar clichês do gênero.

O trabalho de Mann não atraiu muita gente em sua estréia. Tudo bem que não fui a primeira, mas à segunda sessão. Nela, havia apenas dez pessoas. Já que havia eu esquecido minha carteira na sala ao sair [e sim, dei sorte de encontrá-la no mesmo lugar que deixei], voltei já no início da próxima exibição e só mais dez pessoas compuseram o público da chegada da nova produção do diretor. Acredito que o público de blockbuster não vá gostar, devam achar longo... 149 minutos! Eu assistiria de novo.

Té mais!

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